Passo a Passo para Elaboracao do PGRS

Guia completo para elaboracao do PGRS conforme a PNRS. Classificacao de residuos, segregacao, destinacao, responsabilidade tecnica e licenciamento.

Guia Completo — Atualizado 2026

Passo a Passo para Elaboracao do PGRS

O Plano de Gerenciamento de Residuos Solidos (PGRS) e o documento tecnico que descreve as acoes relativas ao manejo de residuos solidos de um empreendimento, contemplando a geracao, segregacao, acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e disposicao final ambientalmente adequada.

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O que e o PGRS e quem e obrigado a elabora-lo?

O Plano de Gerenciamento de Residuos Solidos (PGRS) e o documento tecnico que descreve as acoes relativas ao manejo de residuos solidos de um empreendimento, contemplando a geracao, segregacao, acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e disposicao final ambientalmente adequada.

A Politica Nacional de Residuos Solidos (Lei 12305/2010) obriga a elaboracao do PGRS por geradores de residuos industriais, de servicos de saude, de construcao civil, de mineracao, de servicos de transporte e de servicos de saneamento, entre outros. O descumprimento sujeita o gerador a sancoes administrativas e penais.

O PGRS e tambem requisito do licenciamento ambiental para atividades que geram residuos de qualquer classe, sendo analisado pelo orgao ambiental como parte do processo de obtencao das licencas.

1

Diagnostico da geracao de residuos do empreendimento

O primeiro passo e realizar o diagnostico completo da geracao de residuos, identificando cada tipo, sua origem, quantidade e frequencia de geracao.

Levantamento por setor — Identificacao dos residuos gerados em cada setor ou processo produtivo do empreendimento

Quantificacao — Medicao ou estimativa do volume e massa de cada tipo de residuo por periodo (diario, semanal, mensal)

Caracterizacao — Identificacao das propriedades fisicas, quimicas e biologicas de cada residuo para posterior classificacao

Fluxograma de processo — Representacao grafica dos processos que geram residuos, com indicacao dos pontos de geracao e dos tipos gerados

Atenção: Diagnosticos superficiais que nao identificam todos os tipos de residuos resultam em PGRS incompleto e nao conformidades com a legislacao.

Dica da Cruzeiro: Realize o diagnostico durante pelo menos uma semana tipica de operacao para capturar a variabilidade real da geracao. Evite periodos atipicos como ferias ou manutencoes programadas.

2

Classificacao dos residuos conforme a NBR 10004

A classificacao dos residuos conforme a NBR 10004 e a base tecnica do PGRS, determinando as exigencias de manejo, transporte e destinacao para cada tipo.

Classe I (Perigosos) — Residuos com caracteristicas de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade

Classe II-A (Nao perigosos, nao inertes) — Residuos com propriedades de biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em agua

Classe II-B (Nao perigosos, inertes) — Residuos que nao apresentam constituintes solubilizados em concentracoes superiores aos padroes de potabilidade

Laudo de classificacao — Para residuos industriais sem classificacao previa, e necessario realizar ensaios de lixiviacao e solubilizacao conforme NBR 10005 e NBR 10006

Atenção: A classificacao incorreta de um residuo perigoso como nao perigoso e infracoes ambiental grave, com responsabilizacao do gerador e do profissional responsavel.

Dica da Cruzeiro: Consulte os Anexos A e B da NBR 10004 antes de solicitar ensaios laboratoriais. Muitos residuos ja possuem classificacao padronizada que dispensa analises.

3

Definicao dos procedimentos de segregacao e acondicionamento

A segregacao na fonte e o principio fundamental do PGRS. Cada tipo de residuo deve ser separado no momento da geracao e acondicionado em recipientes adequados a sua classificacao.

Coleta seletiva — Separacao de reciclaveis (papel, plastico, metal, vidro), organicos e rejeitos conforme a Resolucao CONAMA 275/2001 (codigo de cores)

Acondicionamento de perigosos — Recipientes resistentes, rotulados conforme NBR 7500, com identificacao do residuo, risco e instrucoes de emergencia

Area de armazenamento temporario — Local coberto, ventilado, com piso impermeabilizado, contencao de vazamentos e restricao de acesso para residuos perigosos

Incompatibilidades quimicas — Residuos quimicamente incompativeis devem ser armazenados separadamente para evitar reacoes perigosas

Atenção: A mistura de residuos perigosos com nao perigosos contamina todo o lote, transformando-o em residuo perigoso e aumentando significativamente os custos de destinacao.

Dica da Cruzeiro: Instale coletores identificados em cada ponto de geracao e capacite os colaboradores sobre a segregacao correta. A eficacia da segregacao depende diretamente do treinamento.

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Nossa equipe elabora o PGRS completo conforme a PNRS, com classificacao de residuos, plano de destinacao e acompanhamento do licenciamento ambiental.

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4

Definicao da destinacao final ambientalmente adequada

O PGRS deve definir a destinacao final de cada tipo de residuo, priorizando a hierarquia estabelecida pela PNRS: nao geracao, reducao, reutilizacao, reciclagem, tratamento e disposicao final.

Reciclagem — Residuos reciclaveis direcionados a cooperativas ou empresas de reciclagem licenciadas pelo orgao ambiental

Tratamento termico — Incineracao ou coprocessamento para residuos perigosos que nao podem ser reciclados, realizado por empresas licenciadas

Aterro industrial — Disposicao final em aterro Classe I (perigosos) ou Classe II (nao perigosos) conforme a classificacao do residuo

Logistica reversa — Devolucao de embalagens, pilhas, baterias, pneus, lampadas, oleos lubrificantes e eletroeletronicos aos fabricantes conforme a PNRS

Atenção: Destinar residuos a empresas sem licenca ambiental configura infracoes ambiental e o gerador pode ser responsabilizado solidariamente por danos ambientais causados pela destinacao irregular.

Dica da Cruzeiro: Verifique a validade das licencas ambientais de todas as empresas destinatarias. O gerador e corresponsavel pela destinacao adequada mesmo apos a transferencia do residuo.

5

Elaboracao do documento do PGRS e emissao da ART

O PGRS e compilado em documento tecnico estruturado conforme as exigencias da legislacao e do orgao ambiental, assinado por profissional habilitado.

Conteudo obrigatorio — Descricao do empreendimento, diagnostico dos residuos, classificacao, procedimentos de manejo, metas de reducao, programas de educacao ambiental e indicadores de desempenho

Metas de reducao — Compromissos quantificaveis de reducao na geracao de residuos e aumento da taxa de reciclagem, com prazos definidos

Programa de treinamento — Plano de capacitacao dos colaboradores sobre segregacao, manejo seguro e procedimentos de emergencia

ART do PGRS — Emitida pelo profissional responsavel (engenheiro ambiental, sanitarista ou quimico) com especificacao da atividade

Atenção: PGRS sem metas quantificaveis de reducao e sem programa de treinamento sao considerados insuficientes pelos orgaos ambientais e podem ser rejeitados na analise.

Dica da Cruzeiro: Inclua indicadores de desempenho mensurados como taxa de reciclagem, geracao per capita e custo de destinacao. Esses indicadores demonstram evolucao e facilitam a renovacao de licencas.

Implementacao, controle de MTR e revisao periodica

O PGRS deve ser implementado efetivamente, com controle documental de todas as destinacoes e revisao periodica do plano.

MTR (Manifesto de Transporte de Residuos) — Documento obrigatorio que acompanha o residuo desde a geracao ate a destinacao final, registrado no sistema SINIR ou sistema estadual

Certificados de destinacao — Documentos emitidos pelas empresas destinatarias comprovando o recebimento e o tratamento ou disposicao final dos residuos

Inventario anual — Relatorio com a quantidade total de residuos gerados, destinados e estocados no periodo, por tipo e classificacao

Revisao do PGRS — Atualizacao anual ou sempre que houver alteracao nos processos, tipos de residuos ou empresas destinatarias

Atenção: A ausencia de MTR e de certificados de destinacao impossibilita a comprovacao da destinacao adequada, gerando presuncao de destinacao irregular perante a fiscalizacao.

Dica da Cruzeiro: Utilize o sistema SINIR (Sistema Nacional de Informacoes sobre a Gestao dos Residuos Solidos) para emissao e controle dos MTRs. O sistema e gratuito e garante rastreabilidade.

Pronto! Processo concluído com sucesso. Mantenha toda a documentação em dia para evitar problemas futuros.

Resumo: as 6 etapas

1
Identifique e quantifique todos os tipos de residuos gerados.
2
Classifique cada residuo como Classe I (perigoso) ou Classe II (nao perigoso).
3
Estabeleca a separacao na fonte e os recipientes adequados para cada tipo.
4
Estabeleca a rota de destinacao para cada tipo de residuo.
5
Redija o plano completo e registre a responsabilidade tecnica.
6
Implante o plano, controle os manifestos de transporte e revise anualmente.

Erros que atrasam ou impedem o processo

Classificar os residuos sem embasamento tecnico na NBR 10004 — A classificacao incorreta compromete todo o PGRS, desde a segregacao ate a destinacao final. Residuos perigosos classificados erroneamente como nao perigosos podem ser destinados a aterros inadequados, gerando contaminacao ambiental e responsabilizacao do gerador.
Nao controlar os MTRs e certificados de destinacao — O gerador e responsavel pelo residuo ate a destinacao final comprovada. Sem os MTRs e certificados, nao ha como comprovar a destinacao adequada, e o gerador pode ser responsabilizado por danos ambientais causados por destinadores irregulares.
Elaborar o PGRS sem programa de treinamento dos colaboradores — A eficacia do PGRS depende diretamente da adesao dos colaboradores. Sem treinamento, a segregacao na fonte nao acontece, os procedimentos de manejo seguro nao sao seguidos e as metas de reducao nao sao alcancadas.

Perguntas Frequentes

A Lei 12305/2010 obriga a elaboracao do PGRS por geradores de residuos de servicos publicos de saneamento, industriais, de servicos de saude, de mineracao, de construcao civil, de servicos de transporte, de atividades agrossilvipastoris e de estabelecimentos comerciais e de prestacao de servicos que gerem residuos perigosos ou nao equiparados aos domesticos.

O PGRS pode ser elaborado por engenheiro ambiental, engenheiro sanitarista, engenheiro quimico, biologo ou outro profissional com atribuicao tecnica reconhecida pelo respectivo conselho de classe para atividades de gerenciamento de residuos solidos.

O PGRS deve ser revisado anualmente ou sempre que houver alteracao significativa nos processos produtivos, nos tipos de residuos gerados, nas quantidades ou nas empresas destinatarias. O orgao ambiental pode exigir revisao em prazo menor como condicionante da licenca.

O MTR (Manifesto de Transporte de Residuos) e o documento que acompanha o residuo desde o gerador ate o destinador final, registrando quantidade, classificacao, transportador e destinatario. Ele e emitido eletronicamente pelo sistema SINIR ou pelo sistema estadual equivalente, e garante a rastreabilidade da destinacao.

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