Como Fazer a Contagem de Veículos para o RIT — Relatório de Impacto de Trânsito
Saiba como realizar a contagem volumétrica de tráfego para o RIT: metodologia, horários de pico, equipamentos, pontos de contagem e como a Cruzeiro Engenharia pode elaborar o estudo completo para o seu empreendimento.
A contagem de veículos é uma das etapas mais importantes na elaboração do RIT — Relatório de Impacto de Trânsito. Sem dados precisos de volume de tráfego, é impossível dimensionar corretamente os impactos viários de um empreendimento e propor melhorias adequadas. A contagem volumétrica é exigida pelos departamentos de trânsito municipais e estaduais como requisito obrigatório para a aprovação do RIT.
O RIT é o estudo técnico que avalia o impacto de um empreendimento sobre o sistema viário e de transporte da região onde será implantado. A contagem de veículos fornece a base de dados necessária para calcular o nível de serviço das vias, o fator de hora-pico, a distribuição direcional do tráfego e a capacidade das interseções — parâmetros fundamentais para determinar se a malha viária existente suporta a demanda adicional gerada pelo novo empreendimento.
O que é a Contagem de Veículos para o RIT
A contagem de veículos para o RIT é uma pesquisa de campo sistemática que registra o volume e a classificação do tráfego nas vias de acesso, interseções e acessos do empreendimento. O objetivo é levantar dados reais sobre a movimentação de veículos e pedestres na área de influência do projeto, permitindo uma análise precisa dos impactos sobre o sistema viário.
Os dados coletados na contagem são utilizados para calcular indicadores fundamentais do estudo de tráfego: volume horário de projeto (VHP), fator de hora-pico (FHP), distribuição direcional, composição do tráfego e nível de serviço (LOS — Level of Service). Esses indicadores determinam se as vias e interseções existentes possuem capacidade para absorver o tráfego adicional gerado pelo empreendimento ou se são necessárias melhorias viárias.
Sem a contagem volumétrica, o RIT não pode ser elaborado com precisão técnica. Os órgãos de trânsito municipais, como a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) em São Paulo e a EMDEC em Campinas, exigem que os dados de contagem sejam obtidos por meio de pesquisa de campo realizada em condições representativas, sob responsabilidade de profissional habilitado com registro no CREA.
Quando o RIT é Obrigatório
O Relatório de Impacto de Trânsito é exigido para empreendimentos que, por sua natureza, porte ou localização, geram impacto significativo no sistema viário. A obrigatoriedade varia conforme a legislação municipal, mas de forma geral, os seguintes tipos de empreendimento precisam apresentar o RIT:
Empreendimentos Comerciais
Shopping centers e centros comerciais
Hipermercados e supermercados (acima de 2.500 m² de área construída)
Atacadistas e centros de distribuição
Postos de combustíveis em vias arteriais
Restaurantes e casas noturnas de grande porte
Empreendimentos Institucionais
Hospitais e clínicas de grande porte
Universidades, faculdades e escolas técnicas
Centros de convenções e exposições
Estádios, arenas e ginásios esportivos
Igrejas e templos com grande capacidade
Empreendimentos Residenciais
Condomínios com mais de 200 unidades habitacionais
Loteamentos de grande porte
Conjuntos habitacionais em áreas urbanas adensadas
Empreendimentos Industriais e Logísticos
Indústrias com grande movimentação de veículos pesados
Terminais de carga e centros logísticos
Parques industriais e tecnológicos
Em São Paulo, a CET exige o Pólo Gerador de Tráfego (PGT) para empreendimentos acima de determinados limites de área ou número de vagas. Em Campinas, a EMDEC regulamenta o RIT por meio de resoluções específicas. A Cruzeiro Engenharia conhece as exigências de cada município e orienta seus clientes desde a consulta prévia.
Metodologia: Contagem Manual vs. Automática
Existem dois métodos principais para a realização da contagem volumétrica de tráfego: manual e automática. A escolha do método depende do número de pontos de contagem, da duração da pesquisa, do nível de detalhamento exigido e do orçamento disponível.
Contagem Manual
Na contagem manual, pesquisadores treinados são posicionados nos pontos de contagem e registram os veículos utilizando fichas de campo padronizadas ou contadores mecânicos (tally counters). Cada pesquisador é responsável por uma faixa de tráfego ou movimento específico (conversão à esquerda, seguir em frente, conversão à direita).
Vantagens da contagem manual:
Classificação detalhada por tipo de veículo (automóvel, moto, ônibus, caminhão leve, médio, pesado)
Registro dos movimentos de conversão em interseções
Contagem simultânea de pedestres e ciclistas
Adaptabilidade a condições locais específicas
Não requer instalação de equipamentos na via
Contagem Automática
A contagem automática utiliza equipamentos instalados na via que registram a passagem dos veículos de forma contínua, sem necessidade de pesquisadores em campo durante toda a pesquisa.
Principais equipamentos automáticos:
Tubos pneumáticos: mangueiras instaladas transversalmente na via que detectam a passagem dos veículos pela pressão do ar. Permitem contagem contínua por períodos prolongados (dias ou semanas).
Câmeras de vídeo: filmam o tráfego para posterior contagem e classificação em escritório. Permitem rever os dados e auditar a pesquisa.
Laços indutivos: sensores eletromagnéticos embutidos no pavimento que detectam a presença de veículos metálicos. Usados principalmente em contagens permanentes.
Radares e sensores infravermelhos: dispositivos não intrusivos que detectam veículos sem contato físico com a via.
Na prática, muitos RITs utilizam uma combinação dos dois métodos: contagem manual classificatória nos horários de pico e contagem automática para períodos prolongados. A Cruzeiro Engenharia define a metodologia mais adequada para cada projeto, conforme as exigências do órgão de trânsito local.
Horários de Pico e Período de Pesquisa
A contagem de veículos deve ser realizada nos horários que representam a maior demanda de tráfego na região. Os períodos de pico mais comuns são:
Pico da manhã: das 7h às 9h — concentra os deslocamentos casa-trabalho e casa-escola
Pico do meio-dia: das 11h às 13h — movimentação de almoço e troca de turnos
Pico da tarde: das 17h às 19h — retorno do trabalho e da escola
Em empreendimentos comerciais, pode ser necessário incluir o pico do sábado (geralmente entre 10h e 12h), quando o tráfego de compras atinge seu ápice. Para empreendimentos próximos a áreas de lazer ou igrejas, a contagem pode incluir domingos e feriados.
Duração da Pesquisa
A duração padrão da contagem volumétrica para o RIT é de 3 dias consecutivos, de terça a quinta-feira, nos horários de pico definidos. Esse período evita as distorções típicas de segundas-feiras (início de semana) e sextas-feiras (véspera de fim de semana).
A contagem é registrada em intervalos de 15 minutos, permitindo a identificação precisa da hora-pico e o cálculo do fator de hora-pico (FHP). Os dados devem ser coletados em período letivo e fora de feriados, férias escolares ou eventos atípicos que possam distorcer os resultados.
O que Contar: Tipos de Veículos e Pedestres
A contagem classificatória para o RIT deve registrar separadamente as seguintes categorias de veículos e usuários:
Automóveis: veículos de passeio, incluindo SUVs, picapes leves e utilitários
Motocicletas: motos, motonetas e ciclomotores
Ônibus: ônibus urbanos, interurbanos, micro-ônibus e vans de transporte coletivo
Caminhões leves: veículos de carga com PBT até 6 toneladas
Caminhões médios: veículos de carga com PBT entre 6 e 15 toneladas
Caminhões pesados: veículos de carga com PBT acima de 15 toneladas, carretas e bi-trens
Bicicletas: ciclistas e usuários de patinetes elétricos
Pedestres: contagem de travessia de pedestres nos cruzamentos e acessos
A classificação por tipo de veículo é essencial porque cada categoria possui um fator de equivalência diferente em UCP (Unidade de Carro de Passeio). Um caminhão pesado, por exemplo, equivale a 2,0 ou 2,5 UCPs, enquanto uma motocicleta equivale a 0,5 UCP. Esses fatores são utilizados nos cálculos de capacidade viária e nível de serviço.
Pontos de Contagem: Onde Posicionar
A definição dos pontos de contagem é uma etapa crítica que deve ser planejada por engenheiro de tráfego experiente. Os pontos devem abranger todas as vias e interseções que serão impactadas pelo tráfego gerado pelo empreendimento.
Pontos Típicos de Contagem
Interseções críticas: cruzamentos das vias de acesso ao empreendimento, incluindo todos os movimentos (conversões e passagem direta)
Acessos do empreendimento: entradas e saídas de veículos do estacionamento e áreas de carga e descarga
Vias arteriais e coletoras: seções das vias principais que servem de acesso ao empreendimento
Rotas alternativas: vias secundárias que podem receber tráfego desviado
Pontos de conflito: locais com histórico de acidentes ou congestionamentos
O número de pontos de contagem varia conforme o porte do empreendimento e a complexidade do sistema viário. Um supermercado de médio porte pode exigir de 3 a 5 pontos, enquanto um shopping center pode necessitar de 8 a 15 pontos de contagem. A Cruzeiro Engenharia realiza visita técnica prévia ao local para definir os pontos ideais.
Equipamentos Utilizados na Contagem
Os equipamentos utilizados na contagem de veículos para o RIT variam conforme a metodologia adotada. A equipe de campo deve estar devidamente equipada para garantir a precisão e a segurança da pesquisa.
Equipamentos para Contagem Manual
Contadores mecânicos (tally counters): dispositivos de mão que registram cada veículo com um clique. Pesquisadores experientes utilizam múltiplos contadores para registrar categorias diferentes simultaneamente.
Fichas de campo padronizadas: formulários impressos com campos para registrar os volumes por período de 15 minutos, tipo de veículo e movimento.
Pranchetas e cronômetros: equipamentos básicos para organização e controle do tempo de pesquisa.
Coletes refletivos e sinalização: equipamentos de segurança obrigatórios para os pesquisadores em campo.
Equipamentos para Contagem Automática
Tubos pneumáticos: conectados a contadores eletrônicos que registram data, hora e velocidade de cada veículo. Ideais para contagens de longa duração em vias com tráfego intenso.
Câmeras de vídeo de alta definição: instaladas em postes ou tripés, gravam o tráfego para posterior análise e contagem em escritório. Permitem auditar os dados e reclassificar veículos.
Softwares de contagem por vídeo: aplicativos que utilizam inteligência artificial para identificar e classificar veículos automaticamente a partir das gravações.
Processamento e Análise dos Dados
Após a coleta em campo, os dados brutos da contagem passam por um rigoroso processo de tabulação, consistência e análise. As principais etapas do processamento são:
Tabulação dos Dados
Os dados coletados em fichas de campo são digitados em planilhas eletrônicas e organizados por ponto de contagem, período (intervalos de 15 minutos), tipo de veículo e movimento (conversão, passagem direta). Os dados de contagem automática são exportados dos equipamentos e formatados.
Consistência dos Dados
Verificação da coerência dos dados entre pontos de contagem adjacentes (balanço de volumes), identificação de valores atípicos e correção de eventuais erros de campo.
Cálculos e Indicadores
Volume Horário de Projeto (VHP): volume de tráfego da hora mais carregada, utilizado como base para o dimensionamento viário
Fator de Hora-Pico (FHP): razão entre o volume da hora-pico e quatro vezes o volume do período de 15 minutos mais carregado. Valores próximos de 1,0 indicam tráfego mais uniforme
Volume em UCP: conversão dos volumes por categoria para Unidades de Carro de Passeio, permitindo comparação padronizada
Nível de Serviço (LOS): classificação de A (fluxo livre) a F (congestionamento severo) conforme o Highway Capacity Manual (HCM)
Distribuição direcional: proporção do tráfego em cada direção e movimento
Relatório Entregável
O produto final da contagem de veículos é um relatório técnico detalhado que integra o RIT. O relatório de contagem deve conter:
Descrição da metodologia: método utilizado, período da pesquisa, equipe técnica e equipamentos empregados
Mapa de localização dos pontos de contagem: planta com a identificação de cada ponto e os movimentos pesquisados
Tabelas de volumes: dados de contagem organizados por ponto, período, tipo de veículo e movimento
Gráficos de variação horária: curvas de volume ao longo do dia para cada ponto de contagem
Diagramas de fluxo: representação gráfica dos volumes e movimentos em cada interseção
Resumo dos indicadores: VHP, FHP, volume em UCP e nível de serviço para cada ponto
Registro fotográfico: fotos dos pontos de contagem e das condições de tráfego durante a pesquisa
ART do responsável técnico: Anotação de Responsabilidade Técnica do engenheiro responsável pela pesquisa
Como a Contagem Alimenta o RIT
A contagem de veículos é apenas uma das etapas do RIT, mas é a base sobre a qual todo o estudo se apoia. Os dados de contagem são utilizados nas seguintes análises do Relatório de Impacto de Trânsito:
Diagnóstico da Situação Atual
Os volumes de tráfego atuais (sem o empreendimento) são utilizados para caracterizar as condições viárias existentes, incluindo o nível de serviço das vias e interseções, tempos de atraso e filas.
Cenário com o Empreendimento
Ao volume atual é somado o tráfego gerado pelo empreendimento (estimado por meio de taxas de geração de viagens) para avaliar o impacto sobre o sistema viário. Essa análise determina se as vias suportam a demanda adicional.
Cenário Futuro
Aplica-se uma taxa de crescimento anual ao volume atual para projetar o tráfego em um horizonte de 5 a 10 anos. O RIT deve demonstrar que as melhorias propostas atendem não apenas a demanda imediata, mas também a demanda futura.
Dimensionamento de Melhorias
Com base nos volumes projetados, o engenheiro de tráfego dimensiona as melhorias necessárias: alargamento de vias, implantação de semáforos, faixas de aceleração e desaceleração, rotatórias, passarelas de pedestres e outras intervenções.
Erros Comuns na Contagem de Veículos
1. Realizar a Pesquisa em Período Atípico
Contagens realizadas em feriados, férias escolares, dias de chuva intensa ou durante obras na via produzem dados não representativos. Os órgãos de trânsito rejeitam pesquisas realizadas em condições atípicas, exigindo nova contagem.
2. Número Insuficiente de Pontos de Contagem
Deixar de incluir interseções ou vias importantes na área de influência resulta em análise incompleta. O órgão analisador pode solicitar complementação da pesquisa, atrasando a aprovação do RIT.
3. Não Classificar os Veículos
Registrar apenas o volume total, sem separar por tipo de veículo, impede o cálculo correto das UCPs e compromete a análise de capacidade viária. A contagem classificatória é requisito obrigatório.
4. Intervalos de Contagem Inadequados
A contagem deve ser registrada em intervalos de 15 minutos. Intervalos maiores (30 minutos ou 1 hora) não permitem o cálculo preciso do fator de hora-pico e mascaram picos de curta duração.
5. Falta de Registro Fotográfico e Documentação
Não documentar as condições da pesquisa com fotografias, croquis e anotações de campo prejudica a credibilidade do relatório e dificulta eventuais esclarecimentos ao órgão analisador.
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Perguntas Frequentes sobre Contagem de Veículos para o RIT
A contagem de veículos para o RIT (Relatório de Impacto de Trânsito) é uma pesquisa de campo obrigatória que registra o volume de tráfego nas vias de acesso e interseções próximas ao empreendimento. Os dados coletados servem de base para a análise de capacidade viária e o dimensionamento das melhorias necessárias.
A contagem volumétrica de tráfego para o RIT é realizada tipicamente durante 3 dias consecutivos, de terça a quinta-feira, nos horários de pico da manhã (7h às 9h), meio-dia (11h às 13h) e tarde (17h às 19h). Em alguns municípios, pode ser exigida contagem em sábados.
Devem ser contados todos os tipos de veículos: automóveis, motocicletas, ônibus, caminhões (leves, médios e pesados), bicicletas e, em muitos casos, também pedestres. Cada categoria é registrada separadamente para a aplicação dos fatores de equivalência.
A contagem manual utiliza pesquisadores posicionados nos pontos de contagem com fichas ou contadores mecânicos, permitindo classificação detalhada por tipo de veículo. A contagem automática usa tubos pneumáticos, laços indutivos ou câmeras de vídeo, sendo ideal para períodos prolongados.
A contagem de veículos deve ser realizada por empresa de engenharia habilitada, sob responsabilidade de engenheiro de transportes ou engenheiro civil com experiência em tráfego, registrado no CREA. O relatório deve ser acompanhado de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).
O custo da contagem de veículos varia conforme o número de pontos de contagem, a duração da pesquisa, o método utilizado (manual ou automático) e a localização do empreendimento. Solicite um orçamento personalizado à Cruzeiro Engenharia para obter valores específicos para o seu projeto.
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