Como Fazer o Projeto de Prevenção Contra Incêndio — Guia Completo

Entenda todos os elementos do PPCI: classificação da edificação, Instruções Técnicas, sistemas de segurança, dimensionamento e aprovação no Corpo de Bombeiros.

O Projeto de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) — também conhecido como Projeto de Segurança Contra Incêndio e Pânico — é o documento técnico que define todos os sistemas de proteção contra incêndio de uma edificação. Elaborado por engenheiro ou arquiteto habilitado, o PPCI é a peça fundamental para a obtenção do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) e, consequentemente, do Alvará de Funcionamento.

Neste guia completo, a equipe técnica da Cruzeiro Engenharia — referência em projetos de incêndio com 36 anos de experiência e mais de 5.000 projetos entregues — detalha cada etapa da elaboração do PPCI. Apresentamos a classificação das edificações, as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros de São Paulo, os sistemas de segurança mais comuns (extintores, hidrantes, sprinklers, alarme, sinalização, iluminação de emergência), o processo de dimensionamento, a documentação para aprovação e os erros que devem ser evitados.

O que É o PPCI e Para que Serve

O PPCI é o projeto técnico que especifica, dimensiona e localiza todos os sistemas de segurança contra incêndio e pânico exigidos para determinada edificação, conforme as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. O projeto é composto por plantas baixas, cortes, detalhes, memorial descritivo e especificações técnicas que permitem a instalação correta de cada sistema.

O PPCI serve como base para três finalidades fundamentais: a aprovação do projeto pelo Corpo de Bombeiros (etapa necessária para a obtenção do AVCB), o guia para a instalação física dos sistemas de segurança e o documento de referência para manutenção preventiva e vistorias de renovação do AVCB. Sem um PPCI bem elaborado e aprovado, não é possível obter o AVCB e, consequentemente, o Alvará de Funcionamento.

O projeto deve ser elaborado por engenheiro civil, engenheiro de segurança do trabalho ou arquiteto com registro ativo no CREA-SP ou CAU-SP, e deve ser acompanhado da respectiva ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou RRT (Registro de Responsabilidade Técnica).

Classificação da Edificação

O primeiro passo na elaboração do PPCI é a classificação da edificação conforme os critérios estabelecidos nas Instruções Técnicas. Essa classificação determina quais sistemas de segurança são obrigatórios e os parâmetros de dimensionamento de cada um.

A classificação leva em consideração a ocupação (tipo de atividade exercida — comercial, industrial, residencial, hospitalar, educacional, reunião de público), a área total construída, a altura da edificação (número de pavimentos), o número de ocupantes previstos e a carga de incêndio (quantidade de material combustível por metro quadrado).

As ocupações são divididas em grupos, conforme a IT 02 do CBPMESP: residencial (A), serviços de hospedagem (B), comercial varejista (C), serviços profissionais (D), educacional (E), reunião de público (F), serviços de saúde (H), industrial (I), depósitos (J) e mista (M). Cada grupo possui exigências específicas quanto aos sistemas de proteção.

Instruções Técnicas Aplicáveis

Com base na classificação da edificação, o engenheiro identifica as Instruções Técnicas (ITs) aplicáveis. As ITs são as normas oficiais do Corpo de Bombeiros de São Paulo que definem os requisitos de cada sistema de segurança. A Tabela 4 do Decreto Estadual 56.819/2011 (atualizada pelas Instruções Técnicas) cruza a ocupação, a área e a altura da edificação para definir quais sistemas são obrigatórios.

Para uma edificação comercial de 500 m² em um único pavimento, por exemplo, tipicamente são exigidos: extintores de incêndio (IT 21), sinalização de emergência (IT 20), iluminação de emergência (IT 18) e saídas de emergência (IT 11). Para uma indústria de 5.000 m², além desses, podem ser exigidos hidrantes (IT 22), sistema de detecção e alarme (IT 19) e, dependendo da carga de incêndio, sprinklers (IT 23).

Sistema de Proteção por Extintores (IT 21)

Os extintores de incêndio são o sistema de proteção mais básico e obrigatório para praticamente todas as edificações. A IT 21 define os tipos de extintores (água pressurizada, pó químico seco, CO2, espuma mecânica), a quantidade, a capacidade extintora e a distribuição no ambiente.

O dimensionamento é feito com base na classe de risco do ambiente (leve, moderado ou pesado) e na área a ser protegida. A distância máxima de caminhamento até um extintor é de 20 metros para risco leve, 15 metros para risco moderado e 10 metros para risco pesado. Os extintores devem ser instalados em suportes de parede com altura adequada, sinalizados com placas indicativas e mantidos com manutenção preventiva anual.

Os tipos de extintor devem ser compatíveis com os materiais combustíveis presentes no ambiente: extintores de água pressurizada para materiais sólidos (classe A), pó químico seco para líquidos inflamáveis (classe B) e equipamentos elétricos (classe C), e CO2 para equipamentos elétricos sensíveis e ambientes com equipamentos eletrônicos.

Sistema de Hidrantes e Mangotinhos (IT 22)

O sistema de hidrantes é exigido para edificações de maior porte ou com maior carga de incêndio. A IT 22 define três tipos de sistema: Tipo 1 (mangotinho com mangueira semi-rígida de 25 mm), Tipo 2 (mangueira de 40 mm com esguicho regulável) e Tipo 3 (mangueira de 65 mm para uso profissional). O tipo exigido depende da ocupação e do porte da edificação.

O sistema é composto por reserva de incêndio (volume de água exclusivo no reservatório), bomba de incêndio (quando a pressão por gravidade não for suficiente), rede de distribuição (tubulação em aço ou ferro galvanizado), pontos de hidrante ou mangotinho estrategicamente localizados e registro de recalque na fachada (para abastecimento pelo Corpo de Bombeiros).

O dimensionamento hidráulico deve garantir vazão e pressão mínimas em todos os pontos de hidrante simultaneamente, conforme os parâmetros da IT 22. A reserva técnica de incêndio (RTI) é calculada com base na vazão de demanda e no tempo de operação previsto (geralmente 30 a 60 minutos).

Sistema de Chuveiros Automáticos — Sprinklers (IT 23)

Os sprinklers são sistemas automáticos de combate a incêndio que atuam sem intervenção humana. Cada bico sprinkler possui um elemento sensível ao calor (ampola de vidro ou liga fusível) que se rompe quando a temperatura atinge o ponto de ativação, liberando água diretamente sobre o foco de incêndio. O sistema é exigido para edificações de grande porte, áreas de depósito, subsolos, locais de reunião de público com grande capacidade e ocupações de alto risco.

O projeto de sprinklers segue a IT 23 e a NBR 10897, sendo um dos sistemas mais complexos e custosos de um PPCI. O dimensionamento envolve a classificação do risco (leve, ordinário ou extraordinário), a definição da área de aplicação, a vazão e pressão por bico, o cálculo hidráulico da rede de distribuição e o dimensionamento do reservatório e das bombas de incêndio.

Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio (IT 19)

O sistema de detecção e alarme tem como objetivo identificar precocemente o início de um incêndio e alertar os ocupantes para a evacuação. O sistema é composto por detectores (de fumaça, de temperatura ou lineares), acionadores manuais (botoeiras de alarme), central de alarme de incêndio, avisadores sonoros e visuais (sirenes e flashes estroboscópicos).

A IT 19 define quais edificações necessitam do sistema e os parâmetros de instalação. O tipo de detector varia conforme o ambiente: detectores de fumaça para ambientes com equipamentos eletrônicos e escritórios, detectores de temperatura para cozinhas e áreas com geração de vapor, e detectores lineares para grandes galpões e áreas de depósito.

Sinalização de Emergência (IT 20)

A sinalização de emergência é obrigatória para todas as edificações e tem como objetivo orientar a evacuação dos ocupantes e indicar a localização dos equipamentos de combate a incêndio. A IT 20 define três categorias de sinalização: sinalização de equipamentos (indica localização de extintores, hidrantes, acionadores manuais), sinalização de saída de emergência (indica rotas de fuga e saídas) e sinalização de orientação e salvamento (indica escadas, corredores e áreas de refúgio).

As placas devem ser fotoluminescentes (brilham no escuro por pelo menos 60 minutos após a interrupção da energia), instaladas conforme alturas e distâncias definidas pela IT 20, e dimensionadas de acordo com a distância de visualização. A sinalização de piso (fita fotoluminescente) é exigida em rotas de fuga de edificações com grande concentração de público.

Iluminação de Emergência (IT 18)

O sistema de iluminação de emergência garante iluminação mínima para a evacuação segura dos ocupantes em caso de falta de energia elétrica. A IT 18 define dois tipos: iluminação de aclaramento (ilumina rotas de fuga, escadas e áreas comuns) e iluminação de balizamento (pontos de luz que indicam a rota de fuga).

O sistema pode ser centralizado (com central de baterias e circuito exclusivo) ou descentralizado (blocos autônomos com bateria individual). A autonomia mínima é de 90 minutos e o nível de iluminância mínimo é de 3 lux em rotas de fuga e 5 lux em escadas. Os blocos autônomos são a solução mais comum para edificações de pequeno e médio porte.

Saídas de Emergência (IT 08/IT 11)

As saídas de emergência compreendem o conjunto de portas, corredores, escadas e rampas que formam as rotas de fuga da edificação. A IT 08 regulamenta saídas de emergência para edificações novas e a IT 11 para edificações existentes (com critérios adaptados à realidade de prédios antigos). O dimensionamento é feito com base na lotação máxima do pavimento e nas distâncias máximas de caminhamento até uma saída.

A largura mínima das saídas é calculada pela fórmula N = P/C, onde N é o número de unidades de passagem (cada unidade = 0,55 m), P é a população do pavimento e C é a capacidade da unidade de passagem conforme a ocupação. As portas devem abrir no sentido do fluxo de saída, as escadas devem ser enclausuradas (protegidas por paredes corta-fogo e portas corta-fogo) em edificações com mais de 6 metros de altura.

Etapas da Elaboração do Projeto

A elaboração do PPCI segue uma sequência lógica que garante o correto dimensionamento de todos os sistemas:

  1. Levantamento de dados: coleta de informações sobre a edificação (plantas, áreas, alturas, ocupação, lotação prevista)
  2. Classificação da edificação: definição da ocupação, classe de risco e sistemas exigidos conforme a Tabela 4 do Decreto 56.819/2011
  3. Dimensionamento dos sistemas: cálculo e especificação de cada sistema conforme as ITs aplicáveis
  4. Elaboração das plantas: desenho das plantas baixas com localização de todos os equipamentos e sistemas
  5. Memorial descritivo: documento que descreve e justifica tecnicamente cada sistema projetado
  6. Emissão da ART: registro da responsabilidade técnica no CREA-SP
  7. Protocolo no SIEL: upload do projeto no sistema online do Corpo de Bombeiros

Documentos Necessários

Prazos Estimados

Os prazos de elaboração referem-se ao trabalho da Cruzeiro Engenharia. O prazo de análise pelo Corpo de Bombeiros depende da demanda do órgão. Solicite um orçamento personalizado para sua edificação.

Erros Comuns e Como Evitar

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