Passo a Passo para Projeto de Diagrama Unifilar Elétrico
Guia prático com todas as etapas para elaboração do projeto de diagrama unifilar elétrico: do levantamento de cargas à emissão da ART e aprovação junto à concessionária de energia.
Elaborar um projeto de diagrama unifilar elétrico envolve uma sequência de etapas técnicas que devem ser executadas com rigor para garantir a segurança, a conformidade normativa e a eficiência da instalação elétrica. Cada etapa depende da anterior, formando uma cadeia lógica que vai do levantamento inicial de cargas até a aprovação final junto à concessionária.
Neste guia prático, apresentamos os 8 passos fundamentais que a equipe da Cruzeiro Engenharia segue em cada projeto de diagrama unifilar. Com 36 anos de experiência e mais de 5.000 projetos entregues, nossa equipe de 20 engenheiros e arquitetos habilitados domina cada uma dessas etapas, garantindo projetos aprovados na primeira submissão.
Passo 1 — Levantamento de Cargas Elétricas
O primeiro passo é a base de todo o projeto elétrico. O engenheiro realiza o levantamento completo de todas as cargas elétricas da edificação, identificando cada ponto de consumo e sua potência nominal.
O que é levantado
Iluminação: quantidade de pontos de luz, potência de cada luminária (LED, fluorescente, etc.)
Tomadas de uso geral (TUGs): quantidade e potência mínima por ponto conforme a NBR 5410
Tomadas de uso específico (TUEs): chuveiro elétrico, ar-condicionado, forno elétrico, máquina de lavar, micro-ondas e demais equipamentos com circuito dedicado
Equipamentos industriais: motores, compressores, máquinas CNC e demais cargas específicas
Cálculos desta etapa
Potência instalada total: soma de todas as potências nominais
Fator de demanda: percentual da potência instalada que é efetivamente utilizada simultaneamente
Fator de diversidade: relação entre a demanda máxima do conjunto e a soma das demandas individuais
Demanda máxima: potência que determina o dimensionamento do padrão de entrada e do disjuntor geral
Este levantamento resulta no quadro de cargas, documento que lista todos os circuitos com suas respectivas potências e que serve de base para todas as etapas seguintes.
Passo 2 — Classificação de Circuitos
Com o quadro de cargas definido, o engenheiro organiza os pontos de consumo em circuitos elétricos. A NBR 5410 estabelece regras claras para a classificação e separação de circuitos:
Regras de separação
Circuitos de iluminação devem ser separados dos circuitos de tomadas
Equipamentos com potência superior a 1.200 W devem ter circuito dedicado (exclusivo)
Cada cômodo úmido (banheiro, cozinha, área de serviço) deve ter circuito de tomadas independente ou protegido por DR
Motores e equipamentos com corrente de partida elevada devem ter circuito dedicado
Nomenclatura dos circuitos
Cada circuito recebe uma identificação única e descritiva, facilitando a manutenção futura. Exemplos: C1 — Iluminação Sala/Quartos, C2 — Tomadas Sala/Quartos, C3 — Chuveiro Suíte, C4 — Ar-Condicionado Sala. A classificação correta dos circuitos é fundamental para o dimensionamento adequado dos condutores e das proteções nas etapas seguintes.
Passo 3 — Dimensionamento de Condutores
O dimensionamento dos condutores é uma das etapas mais críticas do projeto, pois condutores subdimensionados causam aquecimento, queda de tensão e risco de incêndio. A NBR 5410 exige que o dimensionamento considere três critérios simultaneamente:
Critério 1 — Capacidade de Condução de Corrente (Ampacidade)
A seção do condutor deve suportar a corrente de projeto do circuito sem ultrapassar a temperatura máxima admissível do isolamento. O cálculo considera o método de instalação (eletroduto embutido, bandeja, leito), a temperatura ambiente e o fator de agrupamento de circuitos.
Critério 2 — Queda de Tensão
A queda de tensão desde o padrão de entrada até o ponto de consumo mais distante não pode ultrapassar os limites da NBR 5410: 5% para instalações alimentadas diretamente pela rede pública e 7% para instalações alimentadas por transformação própria. Em circuitos longos, a queda de tensão pode exigir seções maiores que o critério de ampacidade.
Critério 3 — Proteção contra Curto-Circuito
O condutor deve suportar a corrente de curto-circuito durante o tempo de atuação do dispositivo de proteção, sem que sua temperatura ultrapasse o limite admissível. Este critério é especialmente relevante em instalações industriais, onde as correntes de curto-circuito são elevadas.
A seção final adotada para cada circuito é sempre a maior entre as obtidas pelos três critérios, respeitando as seções mínimas normativas: 2,5 mm² para circuitos de força e 1,5 mm² para iluminação.
Passo 4 — Dimensionamento de Proteções
Cada circuito precisa de dispositivos de proteção adequados. O dimensionamento segue o princípio de coordenação entre condutor e proteção:
Disjuntores Termomagnéticos
O disjuntor protege o circuito contra sobrecarga e curto-circuito. Sua corrente nominal deve ser maior ou igual à corrente de projeto do circuito e menor ou igual à capacidade de condução do condutor. Essa relação garante que o disjuntor atue antes que o condutor atinja temperatura perigosa.
Dispositivo DR (Diferencial Residual)
O DR detecta fugas de corrente para a terra, protegendo contra choques elétricos. A NBR 5410 exige DR com sensibilidade de 30 mA para circuitos que alimentam pontos em banheiros, cozinhas, áreas de serviço, áreas externas e tomadas de uso geral até 32 A. O tipo (AC, A ou B) depende do tipo de carga.
DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos)
O DPS protege a instalação contra surtos de tensão originados por descargas atmosféricas ou manobras na rede. A classe do DPS (I, II ou III) depende do nível de exposição da edificação e da presença de SPDA (para-raios).
Seletividade
Os dispositivos de proteção devem ser coordenados (seletividade) para que, em caso de falha, apenas o disjuntor do circuito afetado atue, sem desarmar o disjuntor geral ou outros circuitos. Isso é especialmente importante em edificações comerciais e industriais.
Passo 5 — Projeto de Aterramento
O sistema de aterramento é um dos pilares da segurança elétrica. Ele garante a equalização de potenciais, a atuação correta dos dispositivos de proteção e a proteção contra choques elétricos.
Escolha do esquema de aterramento
TN-S: neutro e proteção separados em toda a instalação — esquema mais seguro e recomendado para instalações novas
TN-C-S: neutro e proteção combinados até o quadro geral e separados nos circuitos terminais — comum em instalações existentes
TT: aterramento independente na instalação do consumidor — utilizado quando a concessionária não fornece neutro aterrado
Eletrodo de aterramento
O engenheiro dimensiona o eletrodo de aterramento (hastes, malha ou fita) para obter a resistência máxima admissível. Para instalações com dispositivo DR, a resistência de aterramento deve garantir que a tensão de contato não ultrapasse 50 V em condições normais ou 25 V em áreas molhadas.
Equalização de potenciais
Todas as massas metálicas acessíveis (tubulações, esquadrias, estruturas metálicas) devem ser conectadas ao barramento de equalização de potenciais, reduzindo o risco de choques por tensões de contato.
Passo 6 — Desenho do Diagrama Unifilar
Com todos os cálculos realizados, o engenheiro elabora o desenho técnico do diagrama unifilar. O diagrama segue convenções gráficas normalizadas e deve conter:
Padrão de entrada com medidor e disjuntor geral da concessionária
Alimentador principal com seção dos condutores e tipo de eletroduto
Quadro de distribuição com disjuntor geral, DR e DPS
Cada circuito terminal com identificação, potência, disjuntor e seção do condutor
Esquema de aterramento com tipo de eletrodo e condutor de proteção
Legenda com simbologia utilizada
Quadro de cargas resumido com potência instalada e demanda
O desenho é realizado em software CAD (AutoCAD ou equivalente), seguindo as convenções gráficas da NBR 5444 (Símbolos gráficos para instalações elétricas prediais) e as exigências específicas da concessionária local. O formato de apresentação (folha, escala, carimbo) também deve atender às normas técnicas.
Passo 7 — Memorial de Cálculo
O memorial de cálculo é o documento que justifica tecnicamente cada decisão de projeto. Ele registra de forma organizada todos os cálculos realizados nas etapas anteriores:
Levantamento de cargas: quadro completo com potências, fatores de demanda e demanda máxima calculada
Dimensionamento de condutores: cálculo pelos três critérios para cada circuito, com indicação da seção adotada
Seleção de proteções: corrente de projeto, corrente nominal do disjuntor e verificação de coordenação condutor-proteção
Cálculo de queda de tensão: verificação para o circuito mais desfavorável
Dimensionamento do aterramento: cálculo da resistência de aterramento e verificação da tensão de contato
O memorial de cálculo é essencial para a rastreabilidade do projeto. Ele permite que qualquer profissional verifique os cálculos, facilita futuras alterações na instalação e serve como documento de comprovação em caso de perícias ou processos judiciais.
Passo 8 — ART e Aprovação
A etapa final do projeto envolve a emissão da documentação legal e a submissão para aprovação:
Emissão da ART
A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é o documento emitido pelo engenheiro eletricista junto ao CREA que vincula o profissional ao projeto. Conforme a Lei Federal 6.496/77, a ART é obrigatória para todo projeto de engenharia. Ela garante que o profissional é habilitado, assume responsabilidade técnica e legal pelo projeto e pode ser acionado em caso de problemas.
Submissão à concessionária
O projeto completo (diagrama unifilar, memorial de cálculo, quadro de cargas e ART) é submetido à concessionária de energia para análise e aprovação. A concessionária verifica se o projeto atende às suas normas técnicas específicas e define o padrão de entrada adequado para a demanda solicitada.
Aprovação e liberação
Após a aprovação pela concessionária, o projeto pode ser executado. O diagrama unifilar aprovado deve ser mantido no quadro de distribuição ou em local de fácil acesso, conforme exigência da NBR 5410, para consulta durante manutenções e fiscalizações.
A Cruzeiro Engenharia acompanha todo o processo de aprovação junto à concessionária, respondendo a eventuais solicitações de complementação e garantindo a liberação do projeto no menor prazo possível.
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Perguntas Frequentes sobre o Projeto de Diagrama Unifilar
O primeiro passo é o levantamento de cargas elétricas da edificação. O engenheiro identifica todos os pontos de consumo (iluminação, tomadas, equipamentos), suas potências nominais e os fatores de demanda e diversidade para calcular a potência total instalada e a demanda máxima.
O dimensionamento dos condutores segue a NBR 5410 e considera três critérios: capacidade de condução de corrente (ampacidade), queda de tensão admissível e proteção contra curto-circuito. A seção final do condutor é a maior obtida entre os três critérios, respeitando a seção mínima de 2,5 mm² para circuitos de força e 1,5 mm² para iluminação.
O diagrama deve incluir disjuntores termomagnéticos para proteção contra sobrecarga e curto-circuito, dispositivos DR (diferencial residual) com 30 mA para proteção contra choques, DPS (dispositivo de proteção contra surtos) e, quando aplicável, fusíveis e relés de proteção para instalações industriais.
O memorial de cálculo é o documento que registra todos os cálculos realizados para o dimensionamento da instalação elétrica: potências, correntes, seções de condutores, queda de tensão, corrente de curto-circuito e seleção de dispositivos de proteção. Ele justifica tecnicamente cada escolha do projeto.
O prazo varia conforme a complexidade da instalação. Para residências, o projeto pode ser concluído em 5 a 10 dias úteis. Para edificações comerciais, de 10 a 15 dias. Para instalações industriais complexas, de 15 a 30 dias úteis. Esses prazos incluem levantamento, cálculos, desenho e emissão de ART.
Sim. A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é obrigatória para todo projeto elétrico, conforme a Lei Federal 6.496/77. Ela vincula o profissional ao projeto, garantindo responsabilidade técnica e legal. Sem ART, o projeto não tem validade perante órgãos públicos e concessionárias.
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